Quem minimiza a fome do outro sabe o que é necessidade

Casal de idosos recebendo alimentação/ Foto:Divulgação

Falei com pessoas, fiz a elas uma série de indagações. Quis saber, das mais humildes, como elas sobrevivem neste período de pandemia do coronavírus. As respostas foram diversas. Algumas bem humoradas e outras pra lá de emocionantes. Tiveram pessoas que, quando falavam, deixavam rolar as lágrimas. Sei lá, não quero vitimiza-las, mas percebia que as lágrimas que se desfaziam na roupa ou secavam ali mesmo próximo dos olhos, diziam muita coisa.

Na minha cidade de Parintins tem muita gente pobre, ou seja, pessoas que não têm comida em casa. Essa gente não vive, sobrevive. Conheci uma família formada por sete pessoas e apenas um trabalhava. O cidadão é tricicleiro e tem 5 filhas mulheres. A esposa luta contra o câncer há três anos. Ele lembra que no mês de fevereiro conseguiu fazer três carretos no triciclo e de lá pra cá nenhum.

Perguntei pra ele ele como faz para ter comida em casa. Ele disse que vai a casa da mãe, mas não são todas as vezes que consegue alguma coisa. Incrível, há muitas pessoas que mesmo com todas essas situações complicadas, não perdem a alegria, o sorriso. Este homem falava sempre sorrindo. Ele tem esperanças em dias melhores. Esta fase que estamos passando logo, logo e vai passar e esta gente vai voltar a vivier.

A imagem que contextualiza esta reflexão, hoje aqui no Blog Ilha Tupinambarana, extrai  das redes sociais. Me achou a atenção porque são pessoas idosas, a população mais afetada neste período, que recebe ajuda. Quem doa esses alimentos, certamente, sabe o que é uma necessidade. Quem já passou fome entende, perfeitamente, o desespero de quem não tem nada. Assim como tem gente que passa fome, tem aqueles que ajudam.

A solidariedade neste tempo deve ser praticada em ações concretas, pois no discurso não tem validade alguma. Repartir o pão com os necessitados é um gesto humanitário. Que Deus abençoe quem ajuda o próximo, pois a recompensa virá. E as famílias que passam por dificuldades financeiras, passando dias sem alimento, também terão momentos diferente, afinal, nada neste mundo é permanente.

 

Aroldo Bruce

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